Um vírus fez o mundo parar. Mas os motoboys seguem ainda mais ativos sobre duas rodas

Texto: Michele Stella

Enquanto a maioria das pessoas, por todos os cantos do mundo, tem enfrentado longos dias e noites de ‘quarentena’ por causa do Covid-19, o coronavírus, os motoboys têm tido uma realidade bem diferente: estão ainda mais ativos, trabalhando o dobro e aproveitando a demanda cada vez mais crescente diante do cenário atual.

“O serviço aumentou 50%”, diz Erickson Cypriano, motoboy há quase 15 anos. Ele trabalha em uma lanchonete e conta que, no estabelecimento, o número de motoboys subiu de sete para 12 em tempos de pandemia. “Financeiramente, o cenário melhorou bastante, não posso reclamar”, completa.

No entanto, se a moto está ‘rodando’ mais, consequentemente, a manutenção também ocorre com maior frequência. “A moto precisa estar em dia. Então, sobe um pouco o gasto pra toca de relação, óleo, pneu, essas coisas assim”, diz Erickson. E imprevistos surgem: o motoboy precisou, neste fim de maio, gastar com a bomba de combustível e com o contato de ignição. “Ainda bem que as oficinas estão abertas.”

 

Motoboy e mecânico

No caso de Edivaldo Basso da Costa, a manutenção da própria motocicleta não é um problema. Pelo contrário. Ele tem comemorado o aumento de trabalho tanto no segmento de entregas – é motoboy há mais de 20 anos – quanto em sua oficina mecânica, localizada no Parque Centenário, em Jundiaí.

“Na oficina, os serviços aumentaram em torno de 60%. Na semana passada, fiz quatro motores e todos os clientes eram motoboys também”, conta Edivaldo, explicando que esse é o seu principal público desde que começou a consertar motos, há quatro anos. Edivaldo foi aluno da rede de escolas Mestre das Motos, onde cursou mecânica e injeção eletrônica.