Moto de muito sucesso na década de 1970 foi criada por Luiz Antônio Gomide, pai do fundador da rede de escolas Mestre das Motos, Fabio Luiz da Silva Costa

Texto: Michele Stella

Paixão e talento para trajetórias bem-sucedidas no mercado das duas rodas são adjetivos em comum na história de Luiz Antônio Gomide – um dos desenvolvedores da motocicleta conhecida como Amazonas – e seu filho Fabio Luiz da Silva Costa, fundador da rede de escolas Mestre das Motos junto com a esposa, Patricia Ferreira.

Na década de 1970, em parceria com o sócio e amigo José Carlos Biston (conhecido como Pistão), Luiz Antônio Gomide (Luizão, já falecido), desenvolveu uma motocicleta denominada Amazonas. Luiz, na época, era mecânico chefe de uma linha de montagem de reconhecida marca nacional de veículos e Pistão, por sua vez, trabalhava na área de engenharia da mesma empresa automobilística.

O hobby dos amigos aos fins de semana e períodos de folga era viajar de moto. Uma das dificuldades, no entanto, era lidar com os constantes danos que os milhares de quilômetros percorridos causavam às motocicletas. “As motos quebravam e meu pai e seu amigo tinham muita dificuldade para consertar. Em várias vezes, precisavam importar peças de outros países e, chegou uma época, que o Brasil proibiu a importação, o que dificultou mais ainda”, recorda Fabio a respeito da história da Amazonas.

Mas nem mesmo esse empecilho colocou fim nas viagens de Luizão e Pistão. De imediato, a alternativa quando uma das motos quebrava era engatar uma carretinha num Fusca e puxar até o local para conserto. Foi assim que surgiu a ideia de desenvolver uma motocicleta com um motor mais potente, ou seja, de um carro. O protótipo tinha mais de 300 quilos, mas fez tanto sucesso na década de 1970 que, após alguns anos, Luizão e Pistão venderam o modelo Amazonas a um grupo de investidores.

Hoje, com os avanços da tecnologia, é possível conhecer a história em detalhes e apreciar diversas fotos de modelos das motos Amazonas na internet. Mas Fabio Luiz, desde o nascimento em 1981, viveu de perto e foi criado sentindo a paixão do pai, familiares e amigos pelo mundo das motocicletas. Talvez daí tenha herdado a habilidade para se dar muito bem na área.

“Eu sempre trabalhei com motos. Meu pai era apaixonado pelas viagens e pelo lado mais social, tanto que é um dos fundador do motoclube Abutre’s, que faz sucesso até hoje no país. Eu, no caso, amo tudo o que envolve a mecânica. Fiz o primeiro curso com 14 anos e abri minha primeira oficina com 16”, conta Fabio Luiz. Ele já trabalhou em grandes concessionárias, foi mecânico da Polícia do Exército e deu aulas de mecânica de motos em algumas instituições da capital paulista, até surgir a oportunidade de ter a própria escola em parceria com a esposa.

De acordo com Fabio Luiz, ao relembrar a trajetória do pai e toda a história de sucesso que o envolveu, a palavra que vem à mente é gratidão. “Eu não herdei o perfil social do meu pai. Mas, desde cedo, sempre soube o que gostaria de fazer. Estou onde quero, fazendo o que eu amo. É inexplicável a sensação de consertar motos e ver o resultado final. Conheço muita gente que fez duas, três faculdades e ainda não encontrou o que gosta de fazer. Eu sempre soube, desde criança”, comemora.